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Esta foi a maneira que encontrei de dividir com vocês minhas alegrias, emoções, meus anseios, dúvidas, questionamentos,.. enfim, dividir um pouco de mim, afinal, ser mulher, mãe e esposa, não é fácil e eu não vim com manual de instruções!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A espera do fim... Aborto Retido

Hoje faz 7 dias que confirmamos que minha gestação foi interrompida.

Eu não fazia ideia de como esse processo era dolorido e como abala nossos sentimentos.
Saber que a qualquer momento posso sentir dores, cólicas, ter sangramento ou algo do tipo é assustador. Não saber o que e nem quando irá acontecer, traz um misto de sentimentos que ainda não sei descrever. Estar fisicamente bem e não sentir nada que demostre finalmente o fim deste processo é doloroso e confuso.

Não quero pesquisar muito sobre o processo de curetagem e confio muito na minha obstetra e isso me traz um pouco de paz, em relação ao que vem por aí, mas confesso que só de pensar em entrar na maternidade para "eliminar" o restos daquilo que foi um sonho e motivo de muita alegria, me assusta e apavora.

A perda gestacional, principalmente no início, é um luto invisível e silencioso. É uma dor solitária e incompreendida.

E vamos seguindo, um dia a mais é um dia a menos. Não sei ao certo o que virá, mas aceito e e agradeço.


Roberta Marques
"nosso amor é como o vento: não posso ver, não posso tocar, mas posso sentir"

domingo, 1 de outubro de 2017

Rivalidade entre irmãos...

Aqui em casa e parece que só na minha casa, temos muitos transtornos causados pelo ciúmes, principalmente pela Coisinha 2, ela tem muita dificuldade em lidar com a chegada da irmã (e faz 3 anos! rs).

Eu ficava muito preocupada com isso, pois a impressão que tenho é de que isso só acontece aqui e em todos os outros lares no mundo, os irmãos se amam, se adoram, são melhores amigos! Até acontecem brigas, mas são aquelas briguinhas bobas, que após alguns segundos se resolvem e a paz volta a reinar! 

Encontrei um livro e estou amando! Ainda estou na metade (comecei faz dois dias) e uma pergunta que li no livro, esta latejando aqui dentro e me fazendo re-pensar o quão doloroso e complicado, deve ser receber um novo membro da família e que ocupa a mesma posição que você. No exemplo a autora diz:

"Imagine que você esta em casa e seu companheiro ou companheira chega e diz: 
_Meu amor, te amo muito e sou muito feliz ao seu lado, porém, vejo que você as vezes se sente muito sozinha (o) e por isso, vou trazer uma nova companheira (o) para te fazer companhia, mas não se preocupe! Meu amor por você continuará o mesmo!
Você vê toda movimentação no preparo da casa para chegada da nova membra (o) e finalmente chega o grande dia!
Vocês começam a receber muitas visitas, todos com a intenção de conhecer aquela Coisinha linda que acabou de chegar. Todos os pedidos dela (e) são atendidos na hora e você escuta sempre aquela famosa frase: _Não fique assim! Você é mais velha (o), não pode agir assim!"

Como se sentiria? Consegue se colocar nessa situação? Consegue enxergar de outro ângulo?
Eu sei que vivemos em uma sociedade monogâmica e que muitos dirão: "Ah! mais esse exemplo não tem como comparar!" será que não?

Já pensou quantas coisas passam pela cabeça da criança que já estava em casa? Como deve ser difícil lidar com estes sentimentos e administra-los sendo ainda tão pequenos?
Todos os dias vemos casos de adultos que não sabem lidar com o ciúmes e comentem até crimes por não saber lidar com o sentimento e se deixam levar pelo momento, pela falta de controle... 

Será que estou sabendo lidar com o ciúme aqui em casa? Será que estou enxergando a forma que realmente é?

Bom, como é só aqui na minha casa (e na da autora do livro) que esta rivalidade e ciúmes acontece, vou continuar minha leitura e meus estudos, afinal, este problema é só nosso!


Até mais!


Roberta Marques - Coisas da Mamãe

"nosso amor é como o vento: não posso ver, não posso tocar, mas posso sentir"

domingo, 3 de setembro de 2017

Alergia alimentar e o mundo ao redor

É tão fácil escrever sobre momentos bons e leves da maternidade e coisas afins, mas quando a conversa é mais pesada, as palavras faltam até pra mim e olha que isso é dificílimo de acontecer hihi
Sentir na pele os desafios de ter uma criança com alergia alimentar em casa é viver em meio a uma guerra diária. Os profissionais de Marketing não brincam em serviço e o incentivo ao consumo é algo que foge ao nosso controle e nos engole!

Já prestou atenção na disposição das guloseimas que ficam na fila do caixa das padarias? E dos supermercados? Já percebeu que ficam exatamente á altura dos olhos dos pequenos? Agora pense: o que se passa na cabeça de uma criança quando vê tudo aquilo? Ela quer! Simplesmente quer! Na maioria das vezes ela nem sabe do que se trata, mas ela quer, afinal foi estrategicamente colocado lá para aguçar a vontade dos consumidores (neste caso crianças).

Agora que já imaginamos a uma situação, vamos imaginar outra talvez um pouco mais pesada:
Um alcoólatra (adicto) precisa de apenas um gole para cair e muitos deles, evitam festas, locais onde tenha bebida á disposição e travam uma luta diária com o vício. Agora pensem: Se todos os dias, eles forem expostos a balcões repletos de bebidas convidativas, ao alcance das mãos e dos olhos,.. não será mais difícil que ele se mantenha firme no "um dia de cada vez" ou só por hoje não vou beber?  Vamos dificultar ainda mais as coisas? Esse alcoólatra tem apenas 5 anos! 

E ai? Peguei muito pesado? Acha que o exemplo não tem nada haver? Realmente pode até ser, mas é assim que me sinto quando preciso fazer minha filha de 5 anos entender que não pode comer aquelas coisas lindas, coloridas e aparentemente mega saborosas do balcão da padaria, da fila do supermercado ou da mesa de doces da festinha... essa última é doída viu? Vocês já viram as mesas de doce das festa de hoje??? Aquilo não é de Deus não minha gente! Tudo personalizado, até a garrafa de água com tema da festa e normalmente é sobre o personagem da vez e claro, até eu que sou mais boba quero tudo pra mim! 

Confesso que já deixei de ir em várias festinhas para não expor minha menina e não vê-la sofrer, mas também já chorei muitas vezes com ela quando não podia oferecer nada da mesa linda e só pedia para aquilo tudo ser um pesadelo e acordar logo.
Ah! mas não posso deixar de ressaltar, aquelas festas que fomos e recebi uma ligação ou mensagem que encheram meu coração de alegria e meus olhos de lágrimas normalmente com os dizeres: _Oi Rô tudo bem? Estou aqui organizando o cardápio da festinha e queria saber se a Manu pode comer...
Gente é sério! Quando é assim, eu largo tudo e vou! Largo tudo e vou prestigiar essa pessoa tão querida e que se deu ao trabalho de pensar de forma tão carinhosa na minha filha e isso não tem preço gente, sério!!! Gratidão á todos que pensam nela. Gratidão eterna á vocês <3

Agora, estou vivendo outra batalha: fazer ela entender que a irmã não tem restrições e pode comer qualquer coisa, principalmente quando elas não estão conosco... elas tem personalidades muito diferentes e uma das características da Manuela é não querer desagradar ninguém. As vezes quando elas vão visitar alguém e tem alguma coisa que ela não pode comer e a Helena pode, ela observa e não fala nada, mas quando chega em casa diz: "Mamãe, fulano comprou tal coisa pra Helena e só fiquei olhando porque não podia comer. Depois você faz um que eu possa comer?"

É gente, não tem sido fácil viu? A vontade era mudar para um mundo perfeito, mas como mundo perfeito não existe, vamos indo assim mesmo e tentando sobreviver da melhor forma possível, fazendo sempre a nossa parte e esperando que no final dê tudo certo!

Este post foi só um desabafo e talvez ninguém se identifique com ele, ou talvez não né? vai saber!


Beijocas,

Roberta Marques - Coisas da Mamãe
"nosso amor é como o vento: não posso ver, não posso tocar, mas posso sentir"









segunda-feira, 26 de junho de 2017

Virei mãe e agora? Quem sou eu? - Parte 1/100000

Já faz um tempo que me perdi e já disso isso aqui...
Me perdi quando enterrei minha filha e mesmo depois do nascimento das outras, ainda não me Re-encontrei.

Já não sei ao certo quem sou e as vezes me pergunto para onde estou indo, quais são os meus sonhos, minha vontades, meus desejos e minhas ambições. Difícil pensar em mim somente, quando outras partes de mim andam por aí e dependem deste eu para continuar vivendo. Difícil separar elas e eu, eu e elas... difícil se achar em meio ao caos de não saber o que e nem a quem procurar.

A maternidade me trouxe ainda mais incertezas e desafios. Nos comercias de TV não era assim, lá era tudo bem mais fácil, limpo e organizado. Na televisão as famílias sorriem o tempo todo, até na hora do caos. Na televisão a maternidade é leve e fácil, mas aqui em casa, onde as câmeras não chegam e não tem nenhum script, as coisas são bem o oposto disso e por muitas vezes eu não consigo sorrir nem em meio a mansidão, pois o caos vendou meus olhos e já não vejo ou sinto nada, apenas solidão e vazio... 

Quantas vezes me peguei chorando e olhando para minha filhas enquanto elas dormiam... chorei por não saber sorrir e levar com leveza aquele momento caótico, que não passavam de um leite derramado no chão, mas por estar tão esgotada, aquilo se torna a gota d'agua que vai transbordar meu copo... queria sorrir mais dos momentos assim, mas o cansaço mental do dia a dia tem colhido meus sorrisos e minha mansidão. 

Sabe o famoso "padecer no paraíso"? Hoje eu o compreendo tão bem... sinceramente não sei se conseguiria outra definição tão simples e exata do que é minha maternidade. E enquanto eu vou padecendo no paraíso de ser mãe, fico me procurando e buscando encontrar "quem eu me tornei", pois a partir do momento que a segunda listra apareceu naquele teste em 2010, eu jamais fui a mesma! 

Não sei se vocês conseguiram me entender... acho que não, afinal, nem eu me entendo rsrs

Mas sabe? Se me perguntar onde eu queria estar neste momento, não teria dúvidas para responder: "Eu queria estar em qualquer lugar, desde que estivesse com minha família ao meu lado"

Por hoje é só! Vou alí padecer no paraíso e quando der eu volto!


"nosso amor é como o vento: não posso ver não posso tocar, mas posso sentir!"

sábado, 24 de junho de 2017

O TDHA e eu... EU e o TDAH... parte 2

Falei outro dia sobre meu Transtorno. Aquele post já é um pouco antigo, eu publiquei no instagram e depois decidi trazer pra cá.
Algum tempo se passou desde aquela postagem e depois disso algumas coisas mudaram...

Eu procurei um Psiquiatra e confesso que foi dificílimo estar frente a frente com ele e me expor. Contar pra ele tudo o que sentia e ouvir da boca dele meu diagnóstico. Por mais que eu já soubesse, ouvir de um profissional é muito complicado. Difícil digerir e aceitar sua condição.

Hoje, estou tomando medicação e não vou citar nomes pois a intenção não é incentivar auto medicação (apesar destes remédios só serem vendidos com receita).

Pode parecer bobeira, mas hoje eu já consigo fazer coisas simples como ir ao supermercado e comprar realmente o que eu precisava. 
Por exemplo: Antes eu ia ao mercado comprar batatas e voltava com sacolas e mais sacolas de tudo o que você possa imaginar, menos a batata! Fora o dinheiro que gastava, perdia tempo, pois tinha que voltar ao mercado (e a chance de voltar novamente sem a batata era imensa!). Quem é mãe sabe que nosso tempo é artigo de luxa na vida das mães e no meu caso era muito mais valioso ainda, pois eu perdia tempo com besteiras por falta de atenção. Só eu sei como isso me machucava!

Todas as consultas, meu médico me passa tarefas simples, como: arrumar as coisas da manhã seguinte ainda pela manhã, ler 3 páginas de um livro e depois fazer um resumo do que conseguia absorver (sim! eu lia e 2 minutos depois me esquecia completamente!)

As coisas estão melhorando por aqui e as poucos estou aprendendo a aprender, aprendendo a pensar antes de fazer (e falar), aprendendo a me organizar.

O combinado com meu médico é de que vamos reprogramar a minha mente, para que eu não me perca em meio aos meus pensamentos e devaneios, que eu consiga focar minha atenção naquilo que estou fazendo no momento e assim, dia após dia, degrau por degrau, vamos nos adaptando a este novo olhar e novo jeito de ver e fazer as coisas, das mais simples as mais complexas.

Aos poucos eu vou me encontrando e me RE-conhecendo. Este processo tem feito muito bem não só para mim, mas para minha família em geral e faz parte do meu RE-nascimento após a maternidade.

Olha para si, após a maternidade tem sido uma tarefa complexa, mas muito enriquecedora e fortalecedora. Descobrir quem me tornei após este processo só tem trazido benefícios e elevado minha auto-estima <3


"Nosso amor é como o vento: não posso ver, não posso tocar, mas posso sentir"

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O TDAH e eu... Eu e o TDAH... parte 1

Escrever aqui e me expor desta forma não é fácil, mas talvez possa ajudar outras pessoas que assim como eu, lutam diariamente para organizar sua bagunça interna e consequentemente a externa.

Sei que julgamento acontecerão, mas sempre convivi com eles, achando que realmente tinha problemas, mas hoje sei que minha condição é completamente contornável e que sou capaz de tudo!

Desde criança, sempre tive dificuldades em começar e terminar algo. Sempre parava na metade! Começava com toda empolgação do mundo e pouco tempo depois, desistia. Com isso, sempre ouvi coisas tipo: "você nunca termina nada!" "Vai começar outro curso? Pra que? Pra abandonar no meio?" "Você é muito indecisa, cada hora quer uma coisa!" E por aí vai.... Eu cresci acreditando nisso e só eu sei, quantas vezes sofri e chorei sozinha por não conseguir terminar nada e sempre me perguntava o que tinha de errado comigo.

Muitas coisas passaram pela minha cabeça e o suicídio foi uma delas. Graças a Deus, sempre tive dificuldade de me manter triste por muito tempo e assim como desistia de tudo muito rápido, sempre desisti destes pensamentos ruins.

Apesar de tudo, eu seguia a vida e já estava acostumada a ser assim, afinal, era "meu jeito", mas me casei, tive filhos e foi aí que as coisas começaram a apertar! Eu esquecia hora de remédios, vacinas, informações importantes sobre elas e foi então que uma luzinha acendeu e eu decidi procurar ajuda. 
Pesquisei meus sintomas na internet, li "Mentes inquietas" e busquei ajuda e apoio psicológico. 
Tomar medicamentos não é minha intenção, sei que ainda tenho um longo caminho pela frente, mas aos poucos estou começando a tomar conta de mim. Iniciei esta caminhada em busca do equilíbrio há 4 meses e as mudanças tem me transformado dia a dia.

Precisava falar sobre isso...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

O silêncio da perda gestacional

Perder um filho, principalmente durante a gestação ou após pouco tempo de nascido, traz as pessoas uma sensação de que "é mais fácil superar" , "é menos doloroso" "outros ainda virão"...

Quando as pessoas sabiam da minha perda, sempre tentavam me "consolar" desta forma, mas no fundo, ouvir frases deste tipo, traziam uma dor ainda maior, mas também eu sentia compaixão por aquela pessoa. Sentia compaixão por ela estar tentando me ajudar, lidando com algo que ainda é um tabu muito grande para nós que á A MORTE e se não estamos preparados para lidar com a morte de pessoas mais idosas e muitas vezes já bem doentes, como poderíamos lidar com uma morte tão prematura e inesperada?

Perder um filho ainda durante a gestação é muito dolorido, silencioso e sozinho. Ninguém, além de nós, consegue saber o que se passa aqui dentro. Os sentimentos ficam confusos e a dor dá a mãos para o amor e eles começam a andar juntos. Todas as vezes que nos lembramos do amor, a dor aperta sua mãe e as lágrimas correm pelos olhos. 

Precisamos falar sobre a perda gestacional e precisamos acolher os pais e mães que passam por esta dor. Precisamos abraçar estas famílias como um todo e não permitir que essa voz se cale. Perder um filho dói e dói muito. Não importa se foi 1 dia, 1 mês ou 9 meses dentro do barriga, tampouco importa se foi 1 dia, 1 mês, 1 ano ou mais fora dela, perder um filho dói. 

Não podemos anular esta dor ou simplesmente deixar pra lá.



"nosso amor é como o vento: não posso ver, não posso tocar, mas posso sentir"